CPA ou ROAS: quando um CPA mais alto é boa notícia

CPA ou ROAS? Cada um mede uma coisa: o CPA é investimento ÷ conversões, o custo de um resultado; o ROAS é valor de conversão ÷ investimento, a receita que cada real traz. Os dois se ligam por ROAS = valor por conversão ÷ CPA, então um CPA mais alto é boa notícia sempre que o valor por conversão sobe mais. Use CPA quando as conversões valem parecido, e ROAS quando não.

Resumo

  • O CPA é o custo de uma conversão (quanto menor, melhor); o ROAS é o valor de conversão por real investido (quanto maior, melhor).
  • ROAS = valor por conversão ÷ CPA: o ROAS melhora sempre que o valor por conversão cresce mais rápido que o CPA.
  • Use CPA ou custo por lead qualificado quando as conversões valem parecido, e ROAS quando o ticket varia.
  • ROAS de equilíbrio = 1 ÷ margem, e CPA de equilíbrio = valor por conversão × margem.
  • O ROAS só é tão confiável quanto o valor por trás dele: atribuição, margem, clientes recorrentes e volume baixo distorcem o número.

Qual é a diferença entre CPA e ROAS?

O CPA diz quanto custa uma conversão; o ROAS diz quanto valor de conversão cada real investido traz de volta. O CPA ignora quanto a conversão vale, e o ROAS ignora quantas conversões você teve.

CPA = investimento ÷ conversões
ROAS = valor de conversão ÷ investimento
valor por conversão = valor de conversão ÷ conversões
ROAS = valor por conversão ÷ CPA

A última linha sai das anteriores: divida o valor por conversão pelo CPA e as conversões se cancelam, sobrando valor de conversão ÷ investimento. Essa identidade explica toda divergência entre as duas métricas.

O ROAS aparece como razão (3,0), porcentagem (300%) ou 3:1, e os três significam R$ 3 de valor de conversão para cada R$ 1 investido. No Google Ads, é a coluna que divide o valor de conversão pelo custo.

Como um CPA mais alto pode ser boa notícia?

Um CPA mais alto é boa notícia quando o valor por conversão sobe, em porcentagem, mais do que o CPA, porque aí o ROAS sobe: cada conversão custa mais, mas traz ainda mais.

Exemplo: uma campanha investe R$ 10.000 em cada um de dois meses.

MétricaMês 1Mês 2Variação
Conversões250200−20%
CPAR$ 40R$ 50+25%
Valor por conversãoR$ 120R$ 225+87,5%
Valor de conversãoR$ 30.000R$ 45.000+50%
ROAS3,04,5+50%
Mês 1: ROAS = R$ 120 ÷ R$ 40 = 3,0
Mês 2: ROAS = R$ 225 ÷ R$ 50 = 4,5
Variação: 1,875 ÷ 1,25 = 1,50, ou seja, ROAS +50%

Um relatório de CPA chama isso de piora de 25%. Na prática, os mesmos R$ 10.000 trouxeram R$ 15.000 a mais de receita. É o que acontece quando lances, públicos ou mix de produtos migram para pedidos maiores: menos conversões, cada uma valendo muito mais.

A margem deixa isso ainda mais claro. Com margem bruta de 40%, o lucro bruto depois da mídia foi de R$ 30.000 × 0,40 − R$ 10.000 = R$ 2.000 para R$ 45.000 × 0,40 − R$ 10.000 = R$ 8.000.

O contrário também acontece: o CPA cai, o relatório fica bonito, e o ROAS despenca porque a campanha achou conversões mais baratas e de menor valor.

Devo otimizar por CPA ou por ROAS?

Otimize por CPA quando toda conversão vale mais ou menos o mesmo, e por ROAS quando o valor das conversões varia. A pergunta de verdade é se as suas conversões são intercambiáveis.

Leads de valor parecido: CPA

Se todo lead tem mais ou menos a mesma chance de virar um cliente de tamanho parecido, o CPA é a métrica honesta. Melhor ainda: acompanhe o custo por lead qualificado. Se o comercial descarta metade dos formulários de uma campanha, o custo real por lead útil é o dobro do que a plataforma mostra.

E-commerce e ticket variável: ROAS

Quando um pedido é de R$ 30 e o seguinte de R$ 300, o CPA trata os dois como iguais e empurra você para os baratos. O ROAS pesa cada conversão pelo que ela trouxe. Na maioria das lojas virtuais, o ROAS deve guiar e o CPA fica como conferência.

Leads de valores muito diferentes: atribua valores

Se um pedido de orçamento para um projeto grande vale muito mais que uma inscrição na newsletter, contar os dois como uma conversão deixa o CPA sem sentido. Dê a cada ação de conversão um valor baseado no quanto ela costuma valer e passe a guiar pelo ROAS.

valor esperado por lead = taxa de fechamento × ticket médio
Exemplo: 10% × R$ 2.000 = R$ 200 por lead

Com os valores configurados, os lances por valor do Google Ads (maximizar o valor da conversão, com ou sem ROAS desejado) conseguem otimizar para eles. Revise os valores quando a taxa de fechamento mudar.

Qual é o ROAS mínimo para não ter prejuízo?

O ROAS de equilíbrio (break-even) é 1 dividido pela sua margem: nesse ROAS, o lucro bruto das vendas paga exatamente a mídia. Use a margem que sobra depois do custo do produto e de outros custos variáveis, como frete e taxas de pagamento.

ROAS de equilíbrio = 1 ÷ margem
Exemplo: 1 ÷ 0,40 = 2,5
CPA de equilíbrio = valor por conversão × margem
Exemplo: R$ 120 × 0,40 = R$ 48

No exemplo anterior, os dois meses ficam acima do equilíbrio de 2,5. Por conversão, o mês 1 deixou R$ 48 − R$ 40 = R$ 8 de lucro bruto depois da mídia (250 × R$ 8 = R$ 2.000), e o mês 2 deixou R$ 225 × 0,40 − R$ 50 = R$ 40 (200 × R$ 40 = R$ 8.000): os mesmos totais de antes.

O equilíbrio é um piso para o ROAS e um teto para o CPA, não uma meta. Defina o CPA desejado abaixo do teto, descontando o lucro que você precisa por conversão. Se a recompra pesa no seu negócio, dá para aceitar mais no primeiro pedido, mas só com dados reais de recompra.

Como CPA e ROAS se comparam?

Lado a lado, cada métrica cobre o ponto cego da outra.

AspectoCPAROAS
FórmulaInvestimento ÷ conversõesValor de conversão ÷ investimento
Melhor quandoMenorMaior
Ideal paraLeads ou cadastros de valor parecidoE-commerce, ticket variável, leads com valor
Ponto cegoQuanto cada conversão valeQuantas conversões houve e a margem por trás da receita
Armadilha típicaCortar campanhas que trazem menos pedidos, porém maioresConfiar em receita que os anúncios não causaram ou com margem apertada
Precisa deContagem de conversões confiávelValor de conversão confiável

Quando o ROAS engana?

O ROAS engana quando o valor por trás dele está errado ou não vira lucro. Cinco armadilhas merecem conferência:

  • Atribuído não é incremental. O ROAS da plataforma conta a receita de quem clicou ou viu um anúncio, inclusive de quem compraria de qualquer jeito. Pesquisa de marca e remarketing costumam parecer as melhores campanhas em parte por isso.
  • A margem muda de produto para produto. ROAS 4,0 com margem de 20% dá prejuízo (equilíbrio em 5,0), enquanto 3,0 com margem de 50% dá lucro (equilíbrio em 2,0).
  • Clientes novos e recorrentes se misturam. Receita de quem já é cliente infla o ROAS. Se o objetivo é crescer, olhe a receita de clientes novos separadamente.
  • Volume baixo oscila. Exemplo: uma campanha investe R$ 1.000 e faz 8 pedidos de R$ 150, ROAS de 1,2. Um único pedido extra de R$ 1.200 dobra o ROAS para 2,4.
  • Valor da plataforma x GA4 ou sistema. Cada plataforma usa a própria atribuição e dá crédito aos próprios anúncios, e o valor pode incluir imposto ou frete num lugar e não no outro. Compare o número da plataforma com o GA4 e com o seu sistema, e tome decisões de negócio pelo sistema.

Como ler as mudanças de CPA e ROAS juntas?

Leia as duas em par: juntas, elas dizem se a mudança é de custo, de valor ou dos dois.

CPAROASO que costuma significar
CaiSobeMelhora clara: conversões mais baratas e mais receita por real
SobeSobeMenos conversões, porém mais valiosas; costuma ser bom, mas confira se não é um pedido grande isolado
CaiCaiConversões mais baratas, só que de menor valor; confira valor por conversão e mix de produtos
SobeCaiProblema real: o valor não acompanhou o custo

Só a última linha pede diagnóstico, e ele começa pelo CPA: separe a alta do CPA em CPC, taxa de conversão e mix de campanhas para ver o que mudou.

A Borealis aplica a mesma lógica ao Google Ads com uma regra chamada dominância de valor: quando o ROAS de uma campanha melhorou, uma alta simultânea do CPA não é reportada como problema, e o que aparece é o ganho de ROAS. Veja como funciona em monitoramento de Google Ads.

Perguntas frequentes

Qual é um bom ROAS?

Um bom ROAS é o que fica acima do seu ponto de equilíbrio, e isso depende da sua margem, não de um número do mercado. O ROAS de equilíbrio é 1 ÷ margem: 2,5 com margem de 40%, 4,0 com 25%, 5,0 com 20%. Some o lucro que você precisa. Um ROAS de 3,0 pode ser ótimo para uma loja e prejuízo para outra.

ROAS é a mesma coisa que ROI?

Não. O ROAS divide receita pelo investimento em mídia; o ROI divide lucro pelo custo. Exemplo: com ROAS de 4,0 e margem de 30%, cada R$ 1 de mídia traz R$ 4 de receita e R$ 1,20 de lucro bruto, então o lucro depois da mídia é R$ 0,20, um ROI de 20% sobre a mídia. Um ROAS alto pode esconder um ROI apertado ou negativo.

Dá para usar ROAS em campanhas de geração de leads?

Dá, desde que os leads tenham valor. Estime o valor de cada tipo de lead como taxa de fechamento × ticket médio, por exemplo 10% × R$ 2.000 = R$ 200, e envie esse valor com a conversão. Aí o ROAS mostra quais campanhas trazem leads valiosos, não só muitos leads. Sem valores, fique com o CPA ou o custo por lead qualificado.

Por que o ROAS do Google Ads é diferente do GA4?

Porque os dois contam de forma diferente. Cada um usa o próprio modelo de atribuição e as próprias janelas; o GA4 divide o crédito entre todos os seus canais, enquanto o Google Ads dá crédito aos próprios anúncios; e o Google Ads data a conversão pelo clique, o GA4 pelo momento em que ela aconteceu. O valor também pode diferir, com ou sem imposto e frete. Espere uma diferença e fique de olho quando ela mudar de repente.

Por que meu ROAS subiu se as conversões caíram?

Porque o valor por conversão subiu mais do que as conversões caíram. Exemplo: com o mesmo investimento, passar de 250 conversões de R$ 120 (R$ 30.000) para 200 de R$ 225 (R$ 45.000) significa 20% menos conversões e 50% mais ROAS. Costuma indicar pedidos maiores ou um mix de produtos melhor. Antes de aumentar a verba, confira se não são um ou dois pedidos muito grandes.